sexta-feira, março 31, 2006

Juro que não sou doida!

Posso não ser doida mas cada vez mais acho que tenho uma forte inclinação para a excentricidade.
Ontem, quando sai das aulas, tinha imenso tempo livre até à hora do treino de futsal. Podia ir a casa mas há já de alguns meses para cá que quero passar lá o menos tempo possível, o ambiente anda pesado e para a minha mãe a culpa é toda minha.
Tinha de ir ao Colombo, portanto planeei ir a pé até ao Marquês de Pombal e depois apanhar o metro da linha azul. Quando cheguei ao metro tive uma ideia, porque não continuar a pé até ao Colombo? E lá fui eu! Passei pelo Parque Eduardo VII, El Corte Inglês, a mesquita de Lisboa, Teatro Aberto, Praça de Espanha, segui pela Avenida dos Combatentes até à cidade universitária, depois a Avenida Lusíada, atravessei o Eixo Norte-Sul, encontrei o Centro Ismaili e fui então pela Estrada da Luz. Ali vi uns sinais a indicarem que o estádio da Luz ficava para a minha direita mas, assim como um bom muçulmano sabe sempre onde fica Meca e como eu tenho um bom sentido de orientação, segui o meu instinto que me dizia para ir para a esquerda. Sobi a Rua dos Soeiros e no horizonte lá vi os aros vermelhos do estádio. Por fim, depois de quase 2h30 a andar, tinha chegado ao meu destino, o Colombo.

Álbum do dia



Depois de ter ficado encantada com a canção "La Belle et Le Bad Boy", usada no último episódio de "Sex and The City", a minha curiosidade de ouvir "Cinquième As" falou mais alto.
Não gosto muito de rap mas o facto de Solaar falar em francês parece reduzir a violência vocal deste estilo de música e não fiquei nada decepcionada com o álbum.

quarta-feira, março 29, 2006

Viagens



Estou a gostar mais das aulas de alemão do que estava à espera. Principalmente porque eu estava à espera de apenas aprender uma nova língua e aquilo que tenho tido em cada aula são pequenas viagens culturais à Alemanha.

A aula começa.
Quando entro no Goethe Institut entra também Marlene Dietrich (ela diz que adorou aquilo, depois detestou e saiu, agora fez as pazes e voltou de novo, enfim...). Perto da biblioteca encontro Thomas Mann a discutir com o filho Klaus, mais ao lado Hermann Hesse calmamente medita. À entrada do Goetheke café, está sempre Nietzsche a dizer que "Deus está morto" e a barafustar contra o cristianismo apesar da empregada do café estar-lhe sempre a avisar para se acalmar porque afasta a clientela. A um canto Marx e Engels, entretanto rendidos à nossa bica, andam às voltas com um manifesto qualquer. Oiço um barulho e assusto-me! Detesto que a Leni Riefenstahl me tire fotos sem a minha permissão! Uma empregada passa por mim e oiço-a a reclamar que o Kurt Weill e o Bertolt Brecht são uns sovinas, nunca lhe dão mais de 3 vinténs de gorjeta. Sento-me numa mesa e peço uma bica, puxo do cigarro mas esqueci-me do isqueiro. Erika Mann, já farta da discussão do pai com o irmão, aparece e oferece-me o dela. Pergunta se eu tenho alguma coisa para fazer depois da aula de alemão, se eu quero ir até ao parque. Ainda não percebi se ela anda a fazer-se a mim ou não... respondo-lhe que o tempo está bom e uma ida ao parque não me desagradaria, ela afasta-se dizendo que espera por mim depois da aula. Entretanto, uns gritos abafados cheios de ódio chegam-me aos ouvidos, pergunto ao Bach, que está na mesa ao lado da minha, se ele sabe o que se passa. Responde-me que trancaram na despensa um louco com um bigode ridículo mas que já chamaram a ambulância para o levar para o hospício. Wagner que ouviu a resposta de Bach afirma categoricamente que o pobre do Adolf não é louco. Gera-se a confusão, Nietzsche enfurecido diz que ele assimilou o conceito do superhomem mas o anti-semitismo e o racismo são intoleráveis! Klaus Mann grita que Adolf devia ser internado o mais depressa possível. Martin Heidegger aparece vindo não sei donde e defende, por sua vez, o Adolf mais a sua ideologia. No meio disto, Leni Riefenstahl filma tudo, aquela mulher não pára! Os Kraftwerk decidem cantar a plenos pulmões que o que é preciso é 'Computer Love'.
O barulho de sirenes avisa que finalmente chegou a polícia. Um ladrar que impõe respeito faz-se ouvir e toda a gente se cala. É o inspector Richard Moser mais o seu fiel Rex, diz que isto são assuntos austriacos e que eles vão tratar de internar o senhor Adolf.
E com isto a calma retorna ao Goethe Institut.
A aula acabou, tempo de ir embora.

terça-feira, março 28, 2006

Aquele braço...


Não ganhamos mas também não sofremos golos, o que é bom. Pena o árbitro inglês não ter querido ver a penalidade escandalosa a favor do Benfica. Cá para mim deve ter recebido dinheiro do Manchester United e do Liverpool para vingá-los...

PS. É impressão minha ou o Beto fez um grande jogo??

sexta-feira, março 24, 2006

Manual de sobrevivência

Tenho dentro de mim um manual de sobrevivência para depressivos com vários capítulos. Um fala de técnicas de como evitar ser magoada, outro fala de como saber ler os sinais de que algo poderá estar a ir no mau caminho e o livro acaba com um axioma, "Proteger-me a todo o custo".
Um curto capítulo do livro é "Como sobreviver quando se é magoada" e se o escrevesse seria assim:

1º Aguentar até ficar só. Porque não consigo chorar à frente de alguém, tenho uma enorme incapacidade para pedir ajuda e porque não quero chatear ninguém com os meus problemas.

2º Dar largas à dor. Mergulhar de cabeça no desespero, deixar os pensamentos mais estúpidos passarem pela cabeça e ir buscar ao banco de memórias tudo o que já me magoou no passado.
(Nota de aviso: este é o passo mais perigoso. Abusar do desespero pode causar actos com consequências graves. Para minimizar o perigo, repetir várias vezes "Isto já passa.")

3º Esperar que o cansaço emocional tome controlo. Aqui é quando a calma reaparece, como com o cansaço emocional vem também o físico ter o cuidado de arranjar um sítio confortável para ficar deitada.

4º Este passo tem duas derivações:
4.1 Se não tiver coisas importantes para fazer, deixar-me ficar deitada porque o cérebro automaticamente desliga-se atráves do sono.
4.2 Se tiver coisas importantes para fazer, pegar na banda sonora de "Conan the Barbarian" e ouvir as faixas 1,2,14,15 e 8 repectivamente, porque apesar de me chamarem várias coisas ainda estou aqui para resistir e lutar.

5º e último passo. Escrever algo com pretensões a intelectual para tentar convencer-me de que tenho algo de qualidade dentro de mim.

quarta-feira, março 22, 2006

Don't trust the hype!



Depois de tanta gente me dizer o quão bom este filme era, que o plot twist era genial, que o ambiente era claustrofóbico e que era o melhor thriller depois de "Se7en", lá me decidi a ver o DVD do primeiro "Saw".
O que eu me desiludi!
A premissa é muito interessante. Dois homens, acorrentados numa casa de banho, que não fazem a mínima de como lá foram parar. Entretanto, alguém vai fazê-los entrar num jogo de vida ou morte. Mas a partir daqui começam as falhas. As sequências aceleradas estão deslocadas do ritmo narrativo e mais parecem um novo videoclip dos Marilyn Manson. A personagem de Danny Glover é ridícula e distrai-nos do filme. Não existe harmonia nos avanços e recuos temporais da história e o plot twist final não é assim tao twist quanto isso.
Em geral não acho o filme mau mas não merece ser comparado, nem de perto nem de longe, com a genialidade de "Se7en" e o que me irrita mesmo é o hype sem fundamento que se espalhou, que claro não é culpa dos autores do filme.

Criador ou criação?

Flaubert, no seu leito de morte, é capaz de ter dito a frase mais emblemática da imortalidade de certas criações literárias:

"Eu estou a morrer como um cão e essa puta da Bovary vai ficar."

Single do dia

terça-feira, março 21, 2006

Valha-nos a velha Europa!



No The Guardian vem uma reportagem com o arcebispo de Canterbury em que ele diz que o creacionismo não deve ser ensinado nas escolas.
Entretanto, nos USA, esta teoria fundamentalista cristã que ensina a pegarmos na Bíblia e a tomar o Génesis como literalmente verdadeiro, tem o apoio de George W. Bush e está a disseminar-se pelas escolas ameaçando mesmo o ensino do Darwinismo, a teoria cientificamente suportada da evolução das espécies, em alguns casos.
Pelo menos aqui pela velha Europa a razão ainda vai prevalecendo sobre a ignorância.

Fim-de-semana desportivo

Este fim-de-semana fui para Tomar e desporto foi mesmo a palavra de ordem.
A tarde de sábado começou com um pouco de bowling, depois seguiu-se um jogo de futsal que deve ter sido o melhor jogo que já fiz na minha vida (já agora, só mesmo para a vaidade, marquei 5 golos e fiz 2 assistências). À noite foi a vez de matraquilhos, onde eu sou uma verdadeira desgraça! Pelo menos, quem joga contra mim fica sempre contente...
Domingo aproveitou-se para fazer canoagem no Nabão. Há já mais de 10 anos que não me punha numa canoa. Depois, voltar para casa mesmo a tempo de ver São Mantorras voltar a fazer mais um milagre.

sábado, março 18, 2006

DJing



Separando o hip hop em duas partes, temos o MC (rap/letra) e o DJ (audio).
O rap puro e duro nunca me atraiu por causa da sua melodia monótona, já a parte do DJ de hip hop me seduz muito mais. Há DJs que conseguem produzir instrumentações brilhantes, misturando jazz, funk, reggae e aquele sample perfeito. O que seria de "Crazy in Love" de Beyoncé sem o viciante sample da música dos Chi-Lites "Are You My Woman"? E, ultimamente, temos o exemplo de K-OS com o seu álbum "Joyful Rebellion", impossível não adorar a mistura do scratching com a orquestração de violinos no anúncio da vodafone.

sexta-feira, março 17, 2006

Hmmm... acho que neste início de ano estou a ler demasiado...
Ando tão influenciada por aquilo que ando a ler que quase consigo transformar uma ida ao estádio da Luz num tratado filosófico!

quinta-feira, março 16, 2006

Finalmente rezei na catedral



Pela primeira vez vi o Benfica no novo estádio. Tive também a oportunidade de ver a majestosa Vitória a um metro de mim. Eu juro que se por qualquer motivo aquela águia viesse directa a mim para me atacar eu morria de medo, é mesmo um animal imponente!

O Benfica perdeu, foi eliminado é verdade, mas na catedral nada disso pareceu ter importância, só o poder estar ali e sentir sensorialmente a mística é algo quase transcendental.
Quando cheguei a casa uma certeza invadiu-me, a imortalidade do Benfica. Atrevendo-me a raptar uma frase de René Char e a descontextualizá-la por completo, "A águia está sempre no futuro". Sim, porque Benfica é um substantivo que terá sempre conjugação no futuro.

PS: Obrigada Fred pelo bilhete!

terça-feira, março 14, 2006

O meu pensamento maravilha do dia:

Para mim, as obras de arte têm de ser como o Red Bull, têm de me dar asas.

Álbum do dia

Apontamentos

"- Muito bem, então imagina o seguinte, se puderes: daqui a umas décadas, as pessoas ver-te-ão a ti e aos que desprezas como uma entidade única. (...)
Quando nos anos vindouros pararem para pensar nos nossos tempos, tu, com toda a tua sensibilidade, serás identificado com esta gente. Sabes, é a maneira mais fácil de se estabelecer a essência da nossa era... toma-se o mais baixo denominados comum. (...) E tu e eu não poderemos escapar ao veredicto, não temos maneira de provar que não partilhámos as opiniões desacreditadas dos nossos contemporâneos."

Yukio Mishima levanta uma questão pertinente no seu livro "Neve de Primavera", como provar a nossa individualidade perante a História e o Tempo?
Há poucos dias vi o filme "Sophie Scholl - Die letzten Tage". Quando pensamos na Alemanha da segunda guerra mundial pensamos numa Alemanha nazi, nunca nos passa pela cabeça que havia grupos de estudantes anti-nazis que imprimiam as suas ideias em panfletos que distribuiam na universidade e em várias cidades. Sophie Scholl fazia parte de um desses grupos, A Rosa Branca. Pagaram com a vida a sua individualidade e que recompensa deu-lhes o Tempo? Um esquecimento quase total, foram aniquilados pelo mais baixo denominador comum.
Diz-se que dos fracos não reza a História mas no entanto são eles, representados por uma multidão ignorante e uniforme, que caracterizam as eras. Talvez esteja a ser pessimista, afinal de contas quando pensamos na Grécia antiga pensamos no nascimento do conhecimento, o século 16 será sempre o Renascimento com o farol que era a Florença dos Médicis a iluminá-lo. Mas daqui a algum tempo como será a nossa era caracterizada? A época dos endividados até ao tutano, que passam os fins-de-semana nos centros comerciais e cujo supra-sumo cultural é "O Código Da Vinci" de Dan Brown?
Mas se calhar é como eu digo, talvez eu esteja a ser pessimista.

quarta-feira, março 08, 2006

Uma chama imensa a brilhar bem alto!


domingo, março 05, 2006

Álbum do dia


Colecção de demos que deveram configurar no novo álbum das Client.

Casa do Benfica

Hoje foi a abertura da casa do Benfica da minha terra. Curioso que tenha sido na mesma rua onde morei durante os meus primeiros 9 anos de vida.
Não houve Luís Filipe Vieira porque ainda não foi a inauguração oficial mas a Glória mais o seu dono, o Sr. Paixão, apareceram e deu-se uma explosão geral de fotos juntamente com um frenesim para tocar no milhafre (sim, a Glória é um milhafre mas pertence à família das águias). A única vez que a Glória tentou bicar alguém foi quando quem lhe estava a fazer uma festa mencionou o nome do Sporting, claro que desatou tudo à gargalhada.



Entretanto, se na catedral da Luz a Vitória voou contra o Liverpool, nesta foto a Glória parece lançar um olhar de aviso, de que não pertence em Anfield Road.
Quarta-feira logo se verá...

sábado, março 04, 2006

Clearaudio Ambient


Continuando com a minha tara por gira-discos, descobri o Clearaudio Ambient que custa a módica quantia de $4164 dólares.
O elemento definidor deste brinquedo é o uso de Panzerholz entre os vários materiais que o compõem. O Panzerholz não propaga o som e tem a curiosa característica de ser à prova de bala. Vendo bem as coisas assim o Clearaudio Ambient vale o seu preço, para além de tocar música, é lindo, dá um toque de elegância a uma sala e se uma pessoa for assaltada à mão armada poderá sempre defender-se em sua casa com o gira-discos, não será isto o supra-sumo da versatibilidade?

sexta-feira, março 03, 2006

Álbum do dia



Um dos álbuns essenciais de jazz e a verdadeira definição de cool jazz.
Dave Brubeck está excelente ao piano mas Paul Desmond ao saxofone é inesquecível em "Take Five".

Imagens


"O jogo", Eo (1-3-2006)